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Colheita de um PMFSPE

O objetivo é orientar sobre procedimentos legais e regras que devem ser respeitadas na colheita da madeira, além de ressaltar a importância de analisar novamente os custos e benefícios durante o planejamento.

 Planejamento de operação de colheita

O planejamento da colheita orienta as fases da operação e otimização dos recursos financeiros, humanos e de tempo, além de contribuir na construção do preço do produto e prazo de entrega.

     Cronograma de execução

    A estação de chuvas e seca influencia e, às vezes, limita o período do ano para algumas das atividades da colheita e transporte. Cabe ao detentor do PM criar a agenda mais apropriada a sua realidade que concilie o processo administrativo para emissão da Autorização de Colheita Florestal e Licença de Operação do IPAAM e as respectivas validades. Protocolizado o Plano de Manejo, o órgão ambiental terá dez dias para análise documental e solicitação de complementação de documentos ao interessado, e mais cinqüenta dias para deliberação sobre o Plano apresentado (Instrução Normativa MMA n° 004, de 4 de Março de 2002).

    Principalmente para espécies com tendência para rachar, é importante considerar as fases da Lua. As fases mais apropriadas para o abate são "Lua Nova"e "Lua Minguante".

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     Mão de obra

    A relação de funcionário envolve produção, rendimento, gerenciamento, logística de transporte, tempo de permanência no campo, alimentação, etc.

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     Equipamentos

    O uso de equipamentos envolve a compra ou aluguel, manutenção, depreciação e, sua relação deve ser apropriada ao número de funcionários e, no caso dos equipamentos de proteção individual, o tamanho.

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     Insumos

    Os insumos são todos os produtos que serão consumidos durante as atividades, por exemplo: combustível, óleo lubrificante, alimentação, etc.

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     Logística de transporte

    Para o transporte devem ser considerados o(s) tipo(s) e quantidade de veículos, capacidades de transporte de madeira, duração da viagem, insumos, pessoas, por viagem.

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 Operações de colheita
     Pré-corte

       Verificação da direção de queda

      A verificação da direção natural permite definir a melhor direção possível para diminuir os impactos e certificar que a queda não afetará APP. É o momento indicado para analisar os possíveis riscos de acidentes por galhos quebrados ou cipós pendurados na copa e árvores entrelaçadas. Caso seja verificado um alto risco de acidente ou impacto em APP, as observações devem ser anotadas e a árvore deverá permanecer em pé.

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       Teste do oco

      O teste do oco deve ser realizado antes de todo o abate. O teste é realizado introduzindo o sabre da motosserra no lado da queda do tronco no sentido vertical a uma altura aproximada de 40cm. Conforme a resistência de entrada, é possível avaliar a presença e o tamanho do oco. Se o oco for pequeno, faz-se um segundo furo a uma altura de 1m aproximadamente para verificar se se estende ao longo do tronco e, em caso afirmativo, as observações devem ser anotadas e a árvore deverá permanecer em pé.

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       Limpeza do tronco

      A limpeza do contorno da árvore, retirando todos os obstáculos e outros materiais (cipós, arvoretas, casas de cupim, galhos quebrados, etc.), facilita o trabalho do serrador durante o corte e diminui o desgaste da motosserra.

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       Retirada da plaqueta e prego

      A plaqueta e o prego devem ser retirados antes do corte, pois podem causar danos à serra durante o processamento e serão usados para marcar o toco após o corte.

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       Preparação dos caminhos de fuga

      Os caminhos de fuga são construídos para que a equipe possa se afastar facilmente no momento da queda da árvore. Devem ser construídos 2 caminhos com comprimentos maiores que a altura total da árvore no sentido contrário à tendência de queda e uma abertura de aproximadamente 45° em relação a linha de queda.

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     Corte

       Técnicas de corte

      A adoção de técnicas de corte reduz os riscos das atividades e o desperdício de madeira. A técnica padrão consiste em uma seqüência de 3 cortes, a abertura da boca (base), a diagonal da boca, e o abate.

      A abertura da boca é um corte horizontal em 1/3 do tronco no lado da queda desejada a uma altura de 20cm do solo. O segundo corte, na diagonal, forma um ângulo de 45 graus, até alcançar o corte horizontal (1/3 do tronco) formando uma "boca". Por último é feito o corte de abate na horizontal no lado oposto da "boca" 10cm acima da base da boca (30cm em relação ao solo) até atingir a metade do tronco.

      A parte não cortada do tronco, entre a linha de abate e a "boca", denominada dobradiça, serve para apoiar e orientar a árvore durante a queda, assegurando que esta caia na direção da abertura da "boca". A largura da dobradiça deve equivaler a 10% do diâmetro da árvore.

      A introdução de uma cunha na fenda do corte de abate auxilia na orientação da queda. A técnica pode ser reforçada deixando a dobradiça mais estreita no lado da queda natural. Essa parte rompe primeiro, provocando uma torção e direcionando a árvore para o lado desejado.

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       Árvores com tronco muito inclinado

      As árvores com inclinação acentuada oferecem maiores riscos de acidentes durante o corte por causa da rapidez com que elas tendem a cair. Além disso, as rachaduras provocadas por erros no corte são mais comuns nessas árvores. Para reduzir tais problemas, o corte de abate é divido em dois. Faz-se um furo próximo ao centro do tronco atravessando-o de um lado a outro, sempre mantendo a dobradiça. Em seguida, é feito o corte de abate inclinado até alcançar o furo.

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       Árvores com sapopemas

      Duas técnicas são comumente utilizadas em casos de sapopemas. Uma delas consiste em retirar todas as sapopemas (1 corte na horizontal e outro na vertical) e depois continuar com as técnicas padrão de corte. A outra possibilidade é retirar apenas as sapopemas que estão na direção da queda desejada e depois cortar a boca. As sapopemas que continuam a linha da dobradiça (perpendicular à linha de queda) podem ser mantidas como parte da própria dobradiça. Procede-se com os mesmos procedimentos usados para tronco muito inclinado, um furo próximo ao centro do tronco atravessando-o de um lado a outro e o corte de abate inclinado até alcançar o furo.

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       Erros comuns durante o corte

      Os erros mais comuns são: o toco alto; o tamanho e ângulo da "boca". Muitas vezes, por comodismo, o serrador realiza um corte na altura da cintura ao invés de fazer o corte na altura recomendada (20 e 30cm). A boca mal feita, com ângulo inferior a 45° e/ou sem a interceptação dos entalhes à 1/3 do tronco, favorecem a ocorrência de rachaduras.

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      Para mais detalhes sobre o corte, ver: "Floresta para Sempre: um Manual para Produção de Madeira na Amazônia", AMARAL Paulo Henrique Coelho, VERÍSSIMO José Adalberto de Oliveira, BARRETO Paulo Gonçalves e VIDAL Edson José da Silva; Belém: Imazon, 1998. pp 130

     Marcação do toco

    Após o corte, a plaqueta com a numeração da árvore deve ser pregada novamente no toco da árvore para o controle ambiental.

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     Destopo (desponte)

    O destopo é separação da copa do tronco que geralmente é feito na altura do primeiro galho, mas às vezes é possível aproveitar mais uma porção do tronco. Para árvores muito grandes é possível aproveitar um ou mais galhos. É uma atividade simples, mas perigosa, pois o tronco tende a se mover quando se desprende da copa, o que pode prensar e prender o sabre ou mesmo rolar ou cair sobre o motosserrista. Para evitar acidentes, recomenda-se sempre calçar a árvore. Em seguida, é feito a limpeza do tronco, retirando galhos, sapopemas, etc.

    Para os sistemas de arraste mecanizados, deve-se dividir o tronco em toras menores (traçamento). Neste caso, o comprimento de cada tora depende das especificações do mercado, da densidade da madeira, do tipo de veículo e da posição de queda em relação ao ramal de arraste.

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     Desdobro no campo (pré-beneficiamento)

    A opção de desdobrar o tronco em peças menores (blocos, pranchas, tábuas, vigas) é usada principalmente em casos onde o arraste mecanizado não é possível. Na região norte, a motosserra é o principal instrumento, de fácil transporte e manuseio e baixos custos de aquisição e manutenção. Os pontos fracos são:

    • baixo rendimento: o corte da corrente é de 1 a 1,4cm. Entre 30 e 60% do volume é transformado em resíduo.
    • baixa qualidade: o corte da motosserra é irregular, com pequenas ondulações ao longo da peça e, dependendo da experiência do motosserrista, o paralelismo das faces é perdido. Ambos os defeitos terão de ser corrigidos na serraria ou marcenaria, gerando mais desperdícios.
    • baixa produtividade: é uma atividade trabalhosa e cansativa e a produção de um operador é de ½ à 2m³ por dia.

    A serraria portátil é um equipamento de maior valor e, portanto de difícil aquisição para pequenos Planos de Manejo quando os detentores trabalham sozinhos. Exige uma manutenção mais especializada e os pontos de venda de peças de reposição ainda são poucos. Os pontos fortes são:

    • alto rendimento: o corte da lâmina é fino, entre 5 e 6mm e o sistema permite trabalhar com facilidade peças menores no contorno do tronco.
    • fácil manuseio: a montagem é fácil e rápida, podendo ser armada em terrenos com alto declive. É um trabalho ergonômico e de baixo esforço. São necessárias de 2 a 4 pessoas na operação.
    • deslocamento: o deslocamento da máquina pode ser feito por 2 pessoas, mesmo dentro da floresta, com ou sem o apoio de um pequeno trator, "jirico" ou mesmo uma carroça.
    • alta qualidade: a serraria segue com a mesma bitola com menos de 1mm de desvio.
    • - fácil transporte do produto: o sistema de corte permite uma produção de peças menores que facilitam o transporte na floresta.

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     Romaneio

    O romaneio é a medição de cada peça (tora, prancha, viga, tábua, ripa, etc) que gera a informação do volume que é produzido. O transporte, a prestação de contas e a comercializaçào são realizados com base nos dados do romaneio.

    • medição de toras: o procedimento de medição mais usado é o seguinte: o volume é a médias das médias de 2 "diâmetros" (maior e menor) de cada "ponta" (face), multiplicada pelo comprimento da tora.
      (ver um modelo de ficha de romaneio para madeira em tora)
        • V = Pi x [ ( ((D1 + D2)/2) + ((D3 + D4)/2) ) / 4 ]² x C
            V = volume (m³)
            Pi = número irracional, valor aproximado 3,1416
            D1, D2, D3 e D4 = diâmetros (m)
            C = comprimento (m)

    • medição de pranchas, vigas, tábua e outras peças com faces paralelas: o volume é a multiplicação dos 3 lados da peças, largura, espessura e comprimento.
      (ver um modelo de ficha de romaneio para madeira desdobrada)
        • V = (L x E x C)/10000
            V = volume (m³)
            L = largura (cm)
            E = espessura (cm)
            C = comprimento (m)

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 Equipamentos de segurança

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são de uso obrigatório por todos os membros da equipe durante toda as fases do Manejo Florestal.

Motosserrista

Ajudante
  • capacete com viseira de acrílico e abafador auricular
  • luvas tipo vaquinha (3 dedos e 2 dedos)
  • coturno com biqueira de aço
  • camisa de nylon
  • calça de nylon de 7 camadas
  • capacete comum
  • protetor auricular
  • luvas (5 dedos)
  • bota comum
  • macacão ou calça tipo "jeans" e camisa tipo "jeans"
  • kit Primeiros Socorros

 Material de campo

     Listagem do material de campo necessário

    - motosserra
    - água
    - marreta 5kg
    - cunha
    - terçado (facão)
    - mapa de colheita
    - conjugado para combustível e óleo
    - ferramentas

     Regras de segurança para uso da motosserra

    Para ligar a motosserra: uma maneira correta é colocar a motosserra no solo tendo o pé direito fixo ao protetor e a mão esquerda segurando firme a alça. O arranque é acionando com a mão direita. A outra forma é apoiar a motosserra entre as pernas. Nos dois casos, o sabre deve ficar livre de qualquer obstáculo e com a ponta voltada para a direção oposta ao corpo do motosserrista.

    Para abastecer a motosserra: abastecer a motosserra com o motor desligado. Manter o reservatório de combustível distante no mínimo 3m do local de operação para evitar riscos de incêndio.

    Para transportar a motosserra: a motosserra deve estar desligada sempre que o motosserrista for se deslocar dentro da floresta, inclusive durante a fuga, ficando ligada apenas enquanto ele se movimenta em torno da árvore para o corte.

Projeto Floresta Viva - SDS
Tel: (92) 9152-7368
Rua Mário Ipiranga 3280
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